Monday, February 28, 2011

melanc

Quantas vezes namorei para apear a solidão
E tudo o que hoje guardo desses gestos
É o vazio a que me conduziram.

Saturday, February 26, 2011

tamanhos

No ponto de encontro para um jantar de antigos colegas, saí do carro e juntei-me ao grupo reunido à porta do restaurante. Ao cumprimentar-me, um daqueles mais materialistas pergunta:
- Então, trouxeste o teu carro mais pequeno?
- Sim, não tenho mais pequeno do que este - respondi.


não ao desperdício

Descobri que tenho diversas caixas de comprimidos com o prazo recentemente expirado, para vários males. Não será economicamente inteligente tomá-los um a um, com as refeições? Eu sei que não tenho prisão de ventre, por exemplo, mas mais vale prevenir do que deitar fora o que ainda está bom..

Tuesday, February 22, 2011

Odisseia Segundo Penantes


É a segunda vez que acho que é fácil sair na estação de comboio de Campolide e ir parar a Alcântara. 


É a segunda vez que me engano. A terceira está ao virar da esquina, prevejo-o. Sou insistente, especialmente quando não percebo como é que aquilo que na minha cabeça é um percurso pleno de simplicidade se transforma num desorganizado emaranhado de ruas que vão em todas as direcções menos naquela que interessa.


A última vez foi em Novembro, tinham os meus pais decidido ir ao Museu do Oriente e eu disse-lhes que saíamos na estação de comboio de Campolide e depois eram só quinze minutos a descer uma avenida. Infelizmente, entre a estação e a tal avenida não há passeios para peões, tendo as vias rápidas obrigado a deslocações cada vez mais afastadas do perímetro intencionado que os meus pais, depois de me rogarem tantas pragas como se discorressem um rosário, acabaram por chamar um táxi que nos colocou no destino em cinco minutos. 

Hoje, tinha de ir ao Hospital da CUF, no Infante Santo, e o Google Maps mostrou-me que estaria dentro do mesmo campo de batalha. As análises estavam marcadas para as 13h, por isso apanhei o comboio das 11h14 e apeei-me na estação de Campolide dez minutos depois. Tinha tempo de sobra. Game on

Não cometendo nenhum dos erros da última vez, dei por mim a cruzar algumas linhas rectas alternativas, todas bem sucedidas, que me colocaram em apenas vinte minutos no local onde tínhamos apanhado o táxi. Daí ao Infante Santo foi mais meia hora, através de ruas infindáveis do Campo de Ourique, contornando o Cemitério dos Prazeres (vi-lhe a entrada e achei-a muito selecta) e uma igreja cuja fachada parece imitar um anjo com asas abertas (não há nada que um arquitecto não consiga fazer do que ser humilde). Ao lado de um imponente e extenso edifício cor de rosa havia a entrada para um jardim e fui perguntar se estava longe da CUF e se podia visitar o jardim. Estava a cinquenta metros do hospital e a entrada era livre. 

O Jardim da Tapada das Necessidades está montado numa íngreme encosta e não tem quase nenhuma atracção, para além de uma estufa muito mal aproveitada e umas casas a caírem aos pedaços, interditadas por gradeamentos. Notei a ausência de bancos de jardim pelo recinto, concentrados dois ou três em sítios sob sombras, e a de velhos a jogarem às cartas. Aliás, não havia mais ninguém enquanto percorri o espaço e fotografei a estufa. Amélia Muge vai cantar lá a 13 de Março de 2011, para quem gostar, mas o espaço é pouco e convém não pisar as couves. Sim, há um mini-mini-horto na estufa. 

A CUF pediu-me 140€ por algo que demorou meia hora de espera e dois minutos de trabalho de equipamento, mas como sabia de antemão que esse era o preço, nem tugi. Paga-se com plástico, que dói menos.

Dei um toque à Sandra, que trabalha na Avenida 24 de Julho, e fui passear por Alcântara, conhecer uma urbanização modernaça de que conhecia só os telhados, vistos da ponte, e gostei mas achei pouco. Fotografei-lhe umas escadas de incêndio pouco usuais e meti a caminho da Praça do Comércio. A Sandra estava a trabalhar, não se me pôde reunir. Mais tempo sem um café.

Demorei 25 minutos até à Rua do Alecrim, que subi, mas antes disso espreitei os posters na entrada do teatro A barraca e lamentei o aspecto sujo. Talvez faça parte do seu charme, o que duvido. Numa esplanada junto ao teatro, uma mulher parecida com a Julianne Moore olhou curiosamente para mim, pelo canto do olho, mas quando me aproximei entrou no estabelecimento. Deu para perceber que tinha menos 20 anos que a actriz e uma maquilhagem muito brilhante. Mas era bonita e ainda pensei nela durante cinco minutos. 

Rua do Alecrim acima, com paragem na BD Mania no largo dos Bombeiros (loja desnecessária e vergonhosamente careira para o meu gosto) e a nostalgia levou-me a virar à esquerda no Largo de Camões e a subir a Rua da Rosa até ao nº 132, onde gastei uma fortuna entre 1994-1995 numa loja chamada Good n' Evil.

Ainda não tinha entrado e já se tornara claro que, em vez de action figures e esculturas da Marvel, DC, Darkhorse e cinema, a loja só tinha chapéus nas paredes e mudara o nome para Loja dos Chapéus. Entrei, de qualquer modo, e dirigi-me à bonita funcionária para perguntar-lhe se sabia do destino do empreeendimento que ali existia antes. Não sei se foi quando falou se imediatamente antes, mas tornou-se clara uma misteriosa metamorfose na minha percepção e estava diante de um rapaz bem parecido, bem educado e de voz grave, que me confidenciou que os chapéus já ali estavam há três anos e que tinha conhecimento da Good n' Evil, que fechara as portas, não se tendo mudado, tanto quanto sabia, para nenhuma outra direcção. Apeteceu-me olhar mais para ele, mas o assunto que ali me conduzira estava concluído e retomei a maratona.

Poucos metros mais tarde, a retornar ao Largo de Camões, deparei-me com um Batman mais alto do que eu, dentro de uma montra. Espaço Chiado, loja 23, reza uma tabuleta por baixo do Cavaleiro das Trevas. Entrei. No andar de cima, a loja espera por mim, com um Joker em versão Heath Ledger a guardar a entrada. A loja, em si, é muito pequena e está atravancada de caixas de figuras de colecção, mas deu para ver que os preços são muito mais convidativos que os da BD Mania. Perguntei à simpática Rainha do Gelo por trás do balcão se era para ali que se tinha mudado a Good n' Evil da Rua da Rosa, mas ela disse que nada tinham a ver, que as portas apenas estavam abertas desde 31 Outubro de 2010 e eu só horas depois me apercebei de que perdi a oportunidade de gracejar que era a loja certa para abrir no dia de Halloween. 

À saída, pedi a uma incauta viajante que me fotografasse ao lado de Joker e atrás de nós pode ler-se que a loja se chama BD Heroes. Check it out. Paredes meias, uma loja surpreendente: vinis, CDs e DVDs, com uma particularidade: 90% são bandas sonoras. Não entrei, por isso o 90% é um valor aproximado.

Desci o Chiado e entrei na Zara, experimentei três pares de calças que me demonstraram que o tamanho 42, este ano, não foi feito para gente, e saí de lá com uma mochila bastante jeitosa, como se eu não as tivesse mais do que as mães. Cala-te. 

A Fnac já foi o meu poiso de eleição, mas há alguns anos que lhe tenho fobia. Percorri-lhe os corredores sem parar a não ser para brincar brevemente com um telemóvel de 570€ e saí para respirar, sem me lembrar de ir à Sport Zone. Pensamento esse que só agora me ocorre. 

Daí não entrei em mais loja nenhuma, mas o dia não estava terminado. Indo a pé até Sete Rios, isto envolveu descer aos Restauradores, subir a Avenida da Liberdade e o Jardim Eduardo VII, passar por trás do Corte Inglês e contornar a Praça de Espanha, olhar para o relógio a meio da Avenida Columbano Bordalo Pinheiro e correr até à estação de comboios a tempo de as portas do veículo longo se fecharem atrás de mim.

Foi um dia desgastante, mas a boa música (Marina & The Diamonds e e vários álbuns de Ratat) e o sol foram suficientes para que o conte como um dos mais divertidos dos últimos tempos. 

Friday, February 18, 2011

chuva

Eu para o segurança da portaria:
- Sr Matos, ligue lá para cima para interromperem a chuva.

Thursday, February 17, 2011

é mesmo assim.

Se a minha vizinha tivesse usado o tubo de cola que lhe ofereci para o cieiro, seria muito melhor vizinha.

Saturday, February 12, 2011

22 socos

um palíndromo e uma capicua são a mesma coisa com caracteres diferentes.

Thursday, February 10, 2011

do além

Pelo que percebo de entradas que leio no facebook, os familiares recém falecidos de certos utilizadores continuam a ler o que eles escrevem. Só assim se entende que se despeçam deles por esta via.

Sunday, February 6, 2011

barbosa

No trabalho, sem ter feito a barba.

Ele: Então, esqueceste-te de fazer a barba?
Eu: Estou a deixar crescer.
Ele: Ah é, vais deixar crescer a barba?
Eu: Só até amanhã.

Total Pageviews

There was an error in this gadget

Followers

Blog Archive