Tuesday, August 31, 2010

bandas sonoras

Não entendo porque há um tão grande preconceito em relação a bandas sonoras. Mostras uma banda sonora a alguém e dizem-te «não vi o filme». Só me apetece dizer «não te estou a mostrar o DVD, mas o CD».

bandas sonoras

Porque é que continua a haver preconceito contra as bandas sonoras como música original, que podem apreciar-se independentemente das cenas para que foram compostas?

Apesar da construção das faixas ter objectivos específicos, estão lá para satisfazer, mais do que tudo, sensações universais: alegria, paixão, amor, medo, tristeza, raiva, pompa e circunstância. Além disso, a música de um genérico tem apenas por fundo um ecrã preto com letras. Tudo o que se ouve é criação original de um compositor.

Uma banda sonora não está num filme para acompanhar as imagens, mas para dar-lhes mais profundidade. Por isso, é algo emocional, está lá precisamente para que as imagens fiquem gravadas no nosso subconsciente.

Se a acham que a música de uma banda sonora não é verdadeiramente original, no sentido de que foi criada para imagens pré-existentes (o que não é líquido e por vezes nem é o caso), o que dizem de um musical? Andrew Lloyd Webber e Stephen Sondheim, por exemplo, criam música original? Um musical começa com um produtor, que escolhe o compositor, o letrista e o encenador. Talvez nenhum deles seja original, porque o seu trabalho está dependente do dos outros.

Mas talvez nenhuma canção seja original, porque numa banda há várias cabeças, um músico independente é influenciado por músicos anteriores...

incêndios

23 incêndios activos em Portugal? O noticiário está mesmo a precisar de argumentistas novos

7 vidas

Mantive um gato curioso na minha pessoa durante uns bons três minutos, através da produção de discretos miaus guturais. Penso que a dada altura ele tenha até receado que me encontrasse em perigo. O mais giro foi ver as suas orelhas rodarem como antenas, para melhor captarem o som.

queremos saber

com que facilidade largavam o/a vosso/a companheiro/a actual pela estrela de cinema/música com que sempre sonharam?

parabens

Já desejou feliz aniversário a alguém hoje?

preguiça

Chego a sacar álbuns da net só para não ter o trabalho de ir procurar os originais em CD que tenho guardados algures...

Monday, August 30, 2010

Wednesday, August 25, 2010

bad meat

Tornar-se vegetariano como manifestação contra a inumana indústria da carne é votar em branco.

reservado

Sou extremamente desligado e distraído nas coisas do coração, é necessário que algo me despolete e, mesmo então, desconfio sempre das minhas primeiras impressões.

Nunca avanço sem pára-quedas. A trama do pára-quedas concebo-a com diálogo brincalhão, analisando cuidadosamente respostas verbais e gestuais. Só quando sinto compatibilidade e uma possível reciprocidade é que lanço a minha teia. E desisto se as contrariedades se sobrepuserem ao proveito. Como o proveito é uma incógnita, as contrariedades não precisam de ser muitas.

kata ao almoço

Normalmente, utilizo a minha hora de almoço para fazer exercício. Criei um ritual que ainda não foi descoberto (e ainda bem) pelos meus colegas de trabalho. A menos de um quilómetro do escritório, planto arraiais num jardim onde ninguém vai - não é bem um jardim, é um extenso rectângulo ajardinado, por trás de uma urbanização de luxo, com árvores e um caminho de cimento a atravessá-lo de ponta a ponta.

Retiro e deposito a camisa e a gravata sobre uma sombra na relva e, de calças de vinco e sapatos de verniz, dedico-me a realizar exercícios de flexibilidade e de força.

A dada altura, apercebo-me de dois miúdos que, passeando de bicicleta, param e me observam atentamente, a curta distância. Ainda tento ignorá-los, mas não se demovem. Como movimentos aeróbicos podem não ter favorecido a minha autoridade, invento rapidamente uma kata, na mais anciã tradição de Okinawa e ilhas limítrofes. Nesse curto bailado marcial, incluo um ashi barai (rasteira em arco), uma sucessão de hiki-te (cotoveladas para trás) e junzuki (soco directo em frente), um mae geri (pontapé de frente) e termino com um mawashi geri (pontapé rotativo), antes de estacionar em posição de kamae (guarda).

Como não se tinham mexido, questiono-os directamente: «Posso ajudar?». Um abana a cabeça, o outro ainda encontra forças para dizer que não. Estão hipnotizados. Têm aquela idade indefinível, que tanto podem ser nove ou doze anos (sei lá eu, que me esforço por só me rodear de adultos). Não há muito mais o que possa fazer do que corrê-los à pedrada, o que não faz sentido, por isso opto por esquecê-los e voltar ao meu regime de exercício habitual, que não costuma incluir artes marciais. Ao fim de 20 flexões da minha parte, lá põem o rabo nos selins e abandonam a cena, não sem olharem para trás algumas vezes.

Já livre de mirones mas motivado pelo meu próprio kata, ensaio, com um objectivo de mera agilização, algumas sequências de movimentos básicos de bloqueio e soco. Qual não é o meu espanto quando os dois miúdos reaparecem, nas respectivas bicicletas. Não os olho directamente, na esperança de que se limitem a passar por mim e a completarem o seu circuito, mas não tenho essa sorte.

Param as biciletas a uns cinco metros de mim e o mais alto pergunta:

- Isso é kung fu, não é?

Na verdade, o meu treino é em karate goju-ryu, há quantos anos foi, mas para quê confundi-los.

- Sim. Vocês treinam?

- Oh, só na escola, nas aulas de Educação Física.

Pelo menos, vão à escola. Não tinha reparado antes, mas estão vestidos com roupas de feira sujas. Devem morar nos bairros camarários da zona. Sim, este é um daqueles bairros de Lisboa que combina um hotel de cinco estrelas, uma urbanização de luxo e bairros camarários habitados por castas de ciganos e imitadores em falta de higiene.

- No meu tempo, as aulas de Educação Física eram só atirarem-nos uma bola de futebol para os pés e estávamos entregues às quatro linhas durante cinquenta minutos. E agora?

- Não, também jogamos vólei e básquete.

- E ginástica - participou o mais baixo, pela primeira vez. Enfim, acabámos por fazer diálogo. Pediram-me para fazer uns golpes específicos muito depressa, que exemplificaram com os braços, pediram-me para contrair o bícepe e elogiaram-me os dorsais. Perguntaram-me a idade e espantaram-se com a resposta, disseram-me que não me davam mais do que 27, que estava mesmo em forma. Mostraram-me algumas habilidades com as bicicletas (pedalar sem as mãos no guiador, travar abruptamente e elevar as rodas de trás, fazer cavalinhos)e, entusiasmados consigo próprios, acabaram por ir embora.

água benta

Devia comercializar-se água benta. Com gás, então, devia fazer um sucesso.

Tuesday, August 24, 2010

k7s

As cassetes de música foram inventadas em 1963 e eu fui quem comprou a primeira lá em casa...

Monday, August 23, 2010

encomenda

Como é bom saborear dois croissants com queijo e fiambre que vêem no topo de uma encomenda enviada pela mãe.


glórias

O meu queque favorito é a glória. E não me lembro de quando comi a penúltima...

Sunday, August 15, 2010

Aniversário De Uma Amiga

Hoje fui ao aniversário de uma amiga. Daquelas que começam como colegas de trabalho e ao cabo de quatro meses, apesar de não termos conversado assim tantas vezes, nos fazem sentir em casa e que, quando se despedem enquanto estás de férias, te telefonam a convidarem-te para o seu aniversário, com três semanas de antecedência.

Pensei várias vezes se devia ir. Aniversários não são o meu ambiente, tenho fobia a grupos de desconhecidos. Mas tinha-me comprometido, tinha prenda, gosto dela, fui. Quarenta e cinco minutos de carro até Olhos de Água, Moita, a tentar ouvir música e não pensar onde me ia meter.

O marido dela foi buscar-me a um cruzamento, depois do qual não me conseguira explicar como chegar à casa, e gostei imediatamente dele. Alto, encorpado, careca, um aperto de mão firme, um sorriso acolhedor.

Uma vez lá, o horror. Oito ou dez pessoas em dois sofás, nem um lugar livre, crianças ruidosas, outros dirão divertidas, como ninjas por todo o lado. Na cozinha, a comida numa mesa e um grupo de mulheres à volta dela. Cumprimentei todos os homens com um aperto de mão, todas as mulheres com um beijo, mesmo uma senhora de idade que me perguntou se era o Dr. Tavira. No luck, minha senhora. Posso escrever-lhe o testamento, mas não salvá-la de um AVC.

Rapidamente percebi o esquema. Os homens, na sala, a verem o Sporting/Paços de Ferreira na TVI, as mulheres na cozinha a trocarem lugares comuns. Depois de uma eternidade a olhar para o televisor como quem espreita pela janela, sentado num braço do sofá, gravitei pela cozinha, sentei-me a comer qualquer coisa, perguntei ao mulherio calado desde que entrara: «Então, aqui fala-se do quê?» Algumas riram-se, disseram qualquer coisa, voltaram a calar-se. Terminei, levantei-me, voltei à janela onde homenzinhos corriam atrás de uma bola. Oh, sina.

A aniversariante veio salvar-me, levando-me com algumas mulheres até à varanda no telhado da moradia, ficámos um bocado a conversar. Ali era mais fresco, as mulheres novas e simpáticas, a esperança voltou mas, indecisa, ficou à porta. O marido veio procurar-nos, acabámos a conversar, contou-me imensas coisas sobre a casa, sobre a vida, sobre si, e apeteceu-me abraçá-lo, aquela malta era porreira, o defeito estava em mim, ocasião certeira para o comentário, usualmente cortante, aqui pelo contrário, «não és tu, sou eu».

Cercou-se o bolo, cantaram-se os parabéns, saltaram fatias em todas as direcções. Pensei que a noite até nem estava a correr mal, afinal, e de repente as candeias relampejam, só metade alumia, e os pares começam a dançar, canção brasileira. E dançam bem. A aniversariante baila com o marido e dá gosto ver, dois outros pares não desmerecem, deixo-me ficar na varanda, dou dois passos atrás. A aniversariante vem convidar-me a dançar com ela, recuso com algumas graçolas («o teu marido não deixa»), sinto a fobia instalar-se. Sugere-me dançar com a irmã dela, diz-me que fico bem entregue, ela até ganhou alguns concursos de dança. Não duvido nada, a irmã dela é linda, de uma elegância felina que notei quando entrou, que o meu canto do olho já estudara ao pormenor, que me pendera o queixo quando começara a sambar, primeiro na forma tentada, depois natural. Dançar com a irmã ainda me comprometeria mais.

E a minha memória viajou onze anos, ao tempo em que a Buguinhas me ensinou a dançar, um par invulgar de branco com negra, kizombas no Mossulo e as outras no resto. Até tínhamos uma coreografia para a nossa canção, tínhamos a nossa canção, tínhamos o nosso mundo. E claro que essa memória me disparou a consciência de que neste momento não tenho nada disso, nem com quem vir a tê-lo. E naqueles casais felizes li o que me falta e, sem saber se o quero, sei que não o tenho, e não compreendo, como posso não querê-lo.

Deixei os casais na sala a dançar, mas estava o caldo entornado, a cozinha oprimia-me, o peito esmagava-me. Ao despedir-me da aniversariante, assim que a vi parar de dançar, o nosso diálogo terminou assim:

- Obrigado por teres vindo.

- Obrigado por me teres convidado.

- Convidei-te porque queria que viesses. Só vem a minha casa quem eu quero. Tu é especial. E sabes isso.

- Não sou nada - disse ainda, já ela se afastava. Não sei se me ouviu.

Estava a tirar o carro quando ela surgiu na rua, deu-me uma caixa de gelado com três fatias de bolo dentro (de três bolos diferentes). Antevimos o fim, combinámos combinar um café, voltou para dentro. Ela, sim, é uma pessoa especial. Daquelas que nos tiram um raio X e vêem através das nossas palhaçadas, nos chamam de sensíveis quando as outras se ofendem com frases efémeras.

Feliz aniversário, Sandra Franco. Hoje e sempre.

ponta do iceberg

Há muito tempo que ninguém me vê para além da ponta do iceberg. Talvez a água não seja convidativa ao mergulho.

melancolia

Cada vez mais me capacito de que a felicidade é algo que acontece aos outros.

Monday, August 9, 2010

preços

O amor é como as compras, há sempre artigos para os quais não tens dinheiro.

Saturday, August 7, 2010

or not to suffer

Porque é que uma mulher, quando te diz que não quer fazer-te sofrer... já fez?

Tuesday, August 3, 2010

Monday, August 2, 2010

calcário vinagrento

Ontem lavei o interior do ferro de passar a roupa com um preparado de água com vinagre (para extrair o calcário) e hoje, ao usá-lo, achei o cheiro do vapor enjoativo. Será normal?

Sunday, August 1, 2010

filmes

A meio de um filme que abre com uma citação, ainda se lembram dela?

paternidade


só devia ser pai (e mãe) quem o quisesse realmente e não quem se resigna a deixar rolar um acidente.

leite por fora

Distraio-me enquanto o leite ferve que é uma coisa parva. Quando dou por ele, já brincou aos vulcões.

Total Pageviews

There was an error in this gadget

Followers

Blog Archive